O Autor

...“A maior pressa é a que se faz devagar”...
João Simões Lopes Neto.

João Simões Lopes Neto nasceu Nasceu em uma família de ricos estancieiros. Com treze anos de idade, foi estudar no Colégio Abílio no Rio de Janeiro; ao retornar ao sul, fixou-se na cidade natal, Pelotas, que até então possuía uma pujante economia movida pelo mercado das charqueadas.

Morreu aos 51 anos, por complicações de uma úlcera gástrica - doença de difícil tratamento na época.
em Pelotas, estado do Rio Grande do Sul, no dia 09 de março de 1865 — morreu na mesma cidade, em 14 de junho de 1916. Ele é considerado o maior escritor regionalista do Rio Grande do Sul! Em seus textos, utiliza termos castelhanos e expressões populares para exprimir em detalhes o pensamento, as atitudes, e o estilo de vida dos gaúchos. O grande escritor só foi reconhecido muito tempo após sua morte; contudo, suas obras são famosas no mundo inteiro, pois a partir da segunda metade do século vinte foram traduzidas para diversos idiomas.

Simões Lopes Neto foi empreendedor! Por volta dos 25 anos (início da década de 1890) fundou, a partir de um sistema de cotas, uma fábrica de vidros; contratou operários franceses e formou um grupo de aprendizes com meninos pobres da região. Em seguida, promoveu a construção de uma grande destilaria, para isso, convenceu vários homens ricos a comprar cotas de ações do novo empreendimento.

Infelizmente, pouco tempo depois, esses negócios não suportaram a instabilidade econômica provocada pela Revolução Federalista, A Revolução Federalista ocorreu logo após a Proclamação da República, entre fevereiro de 1893 e agosto de 1895.
Nesse período, no Estado do RS, dois grupos políticos pleiteavam o poder:
- o Partido Federalista, originado do Partido Liberal da época do Império, defensor do parlamentarismo, era comandado por Gaspar da Silveira Martins;
- e o Partido Republicano - Rio-Grandense, defensor do presidencialismo e das idéias positivistas, era comandado por Júlio de Castilhos; recentemente eleito presidente do Estado.
Os federalistas não aceitaram o novo governo! Queriam, antes de tudo, um plebiscito para que o povo escolhesse o tipo de governo. Não atendidos, puseram-se à luta armada contra os soldados do governo; foram sangrentas batalhas que se estenderam pelos Estados (RS, SC e PR).
Em 1895, o então presidente da República, Prudente de Moraes consegue celebrar uma conciliação de paz e restitui o poder à Júlio de Castilhos.
fato histórico que prejudicou profundamente a economia da região. Mas isso não abalou o ímpeto empresarial de João Simões, que persistiu!

Já por volta de 1900 e com recursos próprios, obtidos como herança do pai e do avô, ele constituiu uma fábrica de cigarros; que denominou com a marca: “Diabo”. O que provocou muita insatisfação na comunidade religiosa; situação que, segundo fontes históricas, foi a causa da inviabilidade do empreendimento.

Contudo, João Simões não ficou derrotado. Ele ainda teve forças para montar uma empresa de moer e torrar café; denominada Café Cruzeiro, era um empreendimento que, segundo o próprio João Simões, oferecia produtos de preços acessíveis. Mas, conforme afirmava nos anúncios que ele mesmo criou, era contundente:

-- “Mais barato seria se não fosse o desgraçado do imposto!” --

E o empreendedor generoso e criativo não ficou por aí... Ainda nos primeiros anos da década de 1900, Informação adicional:
Por volta do ano 1900, João Simões foi um dos fundadores da Sociedade Protetora dos Animais e do Clube Ciclista de pelotas; foi também conselheiro municipal e da Guarda Nacional; participou da fundação da Biblioteca Pública Pelotense e de uma entidade tradicionalista chamada União Gaúcha, que existe até hoje sob a denominação:
União Gaúcha João Simões Lopes Neto.
João Simões Lopes Neto inventou um medicamento - tipo emplastro - com fórmula à base de tabaco, para tratar doenças de pele como sarna e ataque de carrapatos; denominada Tabacina, esse produto manteve-se no mercado por dez anos.

E fez mais, mas de maneira precipitada: ele fundou uma mineradora para explorar as lendárias minas de prata de Santa Catarina e confiou em um ferreiro maleva que se apresentava como engenheiro; esse sujeito conseguiu roubar-lhe uma grande quantia em dinheiro. O falsário chegou a fundir moedas comuns de prata para dar-lhe a ilusão de ter encontrado as primeiras jazidas do precioso minério. Desta vez, a personalidade impetuosa do empreendedor acabou provocando problemas financeiros que o levaram a falência.

Mas a falência empresarial não foi o fim de João Simões, desde 1888 ele colaborava com vários jornais pelotenses. Começou no Jornal Pátria, do seu tio Ismael Simões Lopes, e chegou a ser diretor do Jornal Correio Mercantil. Em 1916, ano em que morreu, estava trabalhando no Jornal Opinião Pública. Seu talento literário foi o maior legado que nos deixou, em obras que valem como verdadeiros livros de história do Brasil.

Aproveite o Café do Comércio! C Autor e titular: Luiz Antonio R. da Silva
O autor e titular do presente texto assegura os direitos autorais dispostos na Lei 9.610/98, mas autoriza a cópia parcial desde que citada a fonte.
Conforme o Art.46 da Lei nº 9.610/98.


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